25 de maio de 2011

Poesia - Paulo Leminski


moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia



vazio
agudo
ando meio
cheio de tudo


   Daqui    
      



"Para Limpar Lágrimas, Paulo Leminski"
Roteiro e direção: Cristiana Miranda
Fotografia: Igor Cabral, Nilson Primitivo, Raul Zito
Voz e assistência de direção: Felipe Cataldo
Montagem: Jordana Berg



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          "Na mesa da poesia, prefiro a carne sem gordura, os ovos crus, a água na temperatura ambiente, a voz natural. Poesia tem que me surpreender. Poesia envolvente e insinuante me cheira a vigarice. Eu vejo logo o truque. Eu quero o susto e o eco do susto."

Música - Pedro Caetano

          Nascido em 1911, o compositor Pedro Caetano,se vivo, estaria completando cem anos no último dia primeiro de fevereiro. Apesar de ser autor de alguns dos mais famosos sambas e marchinhas carnavalescas, trabalhou durante muitos anos como comerciante de sapatos. Compos em parceria com Alcyr Pires Vermelho, Valfrido Silva, Joel de Almeida e, principalmente com Claudionor Cruz, seu principal parceiro.
Seu maior sucesso foi "É Com Esse Que Eu Vou", muito lembrada na interpretação de Elis Regina.



É Com Esse Que Eu Vou - Elis Regina


Disse Me Disse (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) - Stella Damaris


Levei um Bolo (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) - Chico Adnet



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Artes Plásticas - Arthur Bispo do Rosário
















          Arthur Bispo do Rosário passou boa parte de sua vida internado na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, diagnosticado como esquizofrênico-paranóico. Sua explosão criativa começou quando em um de seus surtos ouviu uma voz que lhe pediu para reconstruir o mundo, para que fosse apresentado diante de Deus quando do Juízo Final.

Manto de Apresentação

Miniaturas

Bril Soleil

Bril Soleil 2

Estandarte

Veleiros

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Remixofagia - Alegorias de uma Revolução

          Um vídeo fundamental para entender e se discutir as novas tecnologias, novos conceitos, ressignificação, cultura digital, gil, compartilhamento, pontos de cultura, glauber, antropofagia, politíca cultural, lula, licenças abertas, remix, macunaíma, democracia, oiticica, direitos autorais...



Remixofagia faz parte de um projeto que gerou cinco vídeos produzidos por cinco coletivos de produção audiovisual e que contam um pouco da história da cultura digital no país. Para ver os outros vídeos da série, clique AQUI.

Antenado no Mundo Com VJ Marcelo - Ernesto Lecuona




    

          Ernesto Lecuona foi um dos primeiros músicos cubanos a despontar no cenário mundial. Teve muitas vezes seu nome aproximado ao de George Gershwin, pela sofisticação de sua música e por também trabalhar na fronteira entre o popular e o erudito. Foi uma criança prodígio, começando a se apresentar em público aos cinco anos. Mais tarde veio a ser aluno de Maurice Ravel. Introdutor da música cubana nos Estados Unidos, acabou fazendo várias trilhas sonoras para filmes de Holywood.






La Comparsa  - Bebo & Chucho Valdés


Malaguena - Stan Kenton and his Orchestra


Siboney - Cristy Arias



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Arquitetura - Museu Oscar Niemeyer

          Inicialmente projetado por Oscar Niemeyer em 1967 para a instalação do Instituto de Educação do Paraná, o chamado Edifício Presidente Humberto Castelo Branco, que possui o segundo maior vão livre do Brasil (65m) foi logo ocupado pela administração pública estadual. Quando em 2002 se resolveu transforma-lo em um Museu, além das reformas e ampliações no prédio original, viu-se a necessidade de construir um outro anexo. Foi quando Niemeyer criou um de seus projetos mais arrojados, um edifício que lembra o formato de um olho, e que se tornou mais um dos verdadeiros cartões-postais que ele projetou pelo país.











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E aqui, uma reportagem sobre Niemeyer e o Museu:

Quadrinhos - Flávio Colin

          Flávio Colin começou a trabalhar com histórias em quadrinhos nos anos 50. Seu primeiro sucesso foram "As Aventuras do Anjo", adaptação de uma rádio-novela de sucesso na época. Como todos os profissionais surgidos nessa época heróica e desbravadora para as HQs, trabalhou com quase todos os gêneros, infantil, terror, aventura, eróticos. Dono de traços simples, mas característicos, facilmente identíficaveis, Colin dedicou boa parte de sua obra para tratar de temas relativos ao nosso folclore e a nossa história.
          Um de seus trabalhos mais festejados foi a tirinha diária Vizunga, publicada pela Folha de São Paulo na década de sessenta. Elas narravam as histórias de um ex-caçador e pescador que, em rodas de amigos, conta e ouve casos. O que mais chama atenção em Vizunga são as duas maneiras de se ilustrar a história. Uma de forma mais séria, utilizando traços tradicionais e outra se utilizando de linhas mais caricaturais, para enfatizar as mentiras e exageros do personagem principal, um grande contador de "causos".

    __Copacabana

    __ Mais tarde caminho pela Avenida Atlantica, olhando o mar a as gaivotas...
    __ Lá na beira, frenteàs ondas, avisto um pescador. A seu lado, cravada na areia, a vara com molinete. Paro intrigado. O que pescaria ele?
    __ Que peixes ainda se arriscariam em águas tão frequentadas por toda gente.

     __ Nisto...
     __ Oh! O Lopes veio cedo hoje.
     __ Aquele lá, que está pescando. É muito meu amigo. Um mestre pra pegar enchovas!
     __ Enchovas? Mas...
     __ O quê? Dá muito aqui. Principalmente no verão. Chegam pertinho da praia. Mas só até a altura do posto três e meio. Vindo do posto seis é só garatear.
     __ Garatear?

__ Garatéia é um anzol triplo. Isca-se com rabeta de sardinha, o que é um pitéu pra enchova marisqueira.
__ Puxa! Nunca pensei que isto ainda fosse possível nesta praia!
__ Pois até linguado dá aqui. Mas às vezes a gente passa a noite inteira lançando e só pega mesmo é papa-terra, pampo-galhudo ou arraia. Também dá corvina e cocoroca.
__ Bah!
__ É por isso que quase todos vem pescar de molinete leve, tipo francês, que não dá retrocesso. O "nylon" sai aos arrancos, fácil de travar, e não faz cabeleira.


Depois de mais algumas tirinhas introdutórias, Colin ilustra o primeiro "causo" contado por Vizunga:
__ ...e ergui pelas guelras um jaú pesando mais de oitenta quilos!
__ Mas aí, meu amigo, cadê tutano pra carregar o bicho até o topo do barranco? Eu estava exausto.
__ ...e meu primo - coitado! - se mal aguentava comigo, que diria com mais aquele jaúzão!

__ Mas...
__ Socorro! Acudam! Socorro!
__ Todos os pescadores que estavam empoleirados no local, largaram suas varas e vieram ajudar.
__ Puseram-se uns atrás dos outros, agarrando-se pela cinta e formando uma longa fileira que...

__ Que começava comigo.
__ E ia terminar lá em cima, num mascate que puxava seu jerico pelo cabresto.

__ Então, a fileira começou a mover-se e eu e o jaú fomos içados.
__ É claro que nada contamos a meu tio, mas o velho admirou-se muito ao ver o jaú, e eu fiquei com um baita cartaz lá na fazenda.
__ Bem, acho que já o importunei demais, vou andando...



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+ Arthur Bispo do Rosário

          Nascido em 1911, Arthur Bispo do Rosário é mais um dos artistas brasileiros que que completariam o centanário nesse ano. Segundo Marta Dantas, que desenvolveu uma tese de doutorado sobre ele - Arthur Bispo do Rosário A Poética do Delírio - "Bispo não desenhou, não pintou e nem esculpiu, ou seja, não se debruçou sobre nenhuma das atividades expressivas das artes plásticas, mas bordou, costurou, pregou, colou, talhou ou simplesmente compôs através de objetos já prontos. Descobria beleza naquilo onde, aparentemente, não existia."
          Após reportagens a seu respeito saírem na imprensa, seu trabalho passa a ser mais conhecido no começo dos anos 80, participando de exposições coletivas e individuais no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro. Alguns críticos ligam sua obra à arte de vanguarda, descobrindo semelhanças especialmente com a arte de Marcel Duchamp.


Roda da Fortuna

Vaso Sanitário

Colheres

Canecas

Sem Título

Confete



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+ Ernesto Lecuona



   Versátil e prolifíco, Ernesto Lecuona (06/08/1895 - 29/11/1963) deixou mais de 600 composições entre músicas populares, peças orquestrais, zarzuelas, valsas e até mesmo uma ópera. Dissidente do regime de Fidel Castro, morreu no exílio, em Santa Cruz de Tenerife, na Espanha, sendo sepultado em Nova York, tendo deixado instruções para que seu corpo seja traslado para sua amada Cuba após o fim do regime Castrista.






Para Vigo MeVoy - Compay Segundo


 Arrullo De Palmas - Hermanas Marquez  & Paquito D'Rivera


Malagüena - Daniel Barenboim & Orquestra Filarmônica de Berlim


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+ Pedro Caetano

Uma de suas mais belas músicas é o chorinho Nova Ilusão, também em parceria com Claudionor Cruz, e que têm uma história de composição curiosa, como conta o historiador João Máximo:

"Sílvio Caldas encomendara a Pedro e Claudionor um samba nos moldes de “Da cor do pecado”, de Bororó, para lançar em seu próximo show. Como os dois parceiros não poderiam se encontrar até lá — Pedro, em sua sapataria; Claudionor, morando longe —, resolveram o problema com Pedro fazendo uma letra para a melodia de “Da cor do pecado”, e Claudionor tratando de apor nova melodia à letra de Bororó. Depois, juntaram suas partes, resultando disso uma obra-prima que Sílvio Caldas não gravou, mas que — de Lúcio Alves a Zélia Duncan, passando por Paulinho da Viola — tem enriquecido o repertório de outros grandes intérpretes: “Se um beija-flor descobrisse/ A doçura e a meiguice/ Que os teus lábios têm/ Jamais roçariam suas asas brejeiras/ Por entre roseiras/ E em jardins de ninguém.”



Nova Ilusão (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) - Zélia Duncan


Foi Uma Pedra Que Rolou - Juliana Perdigão & Kristoff Silva


Eu Sou o Tostão - Neusa Maria



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++ Ernesto Lecuona

A ligação entre a música brasileira e a música cubana é ancestral, e muitos artistas brasileiros gravaram músicas de Ernesto Lecuona. O grupo de balé Corpo fez, inclusive, um espetáculo baseado exclusivamente nas músicas de Lecuona.

Te He Visto Pasar - Grupo Corpo


Mariposa - Marina de La Riva


Malaguenã - Paulinho Nogueira




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Fotografia Com Célia

           Desta vez resgatamos a viagem que a Calçada da Cultura fez até a Vila Isabel, terra de Noel Rosa, para em plena comemoração do aniversário de Martinho da Vila, invadirmos o palco para realizar o batizado de seu boneco.









Para ver mais fotos da Calçada da Cultura, visite o nosso Flicker, AQUI


++ Pedro Caetano

Pedro Caetano faleceu no Rio de Janeiro no dia 27 de julho de 1992, tendo sido depositadas sobre seu caixão as bandeiras da Mangueira e do Flamengo. "Escreveu o livro 50 anos de Música Popular Brasileira - O Que Fiz, O Que Vi", em cujo prefácio o pesquisador musical José Ramos Tinhorão diz:

"(...) Pedro Caetano mostra neste seu livro como um autor de música popular pode servir à crônica do seu tempo e dos fatos do qual é personagem. Através de Pedro Caetano, são os bastidores da criação da música popular de uma época que ficamos conhecendo agora. São pequenas histórias, mas são elas que compõem a História”.


O Que Se Leva Dessa Vida - Leila Pinheiro


Sandália de Prata (Pedro Caetano/ Alcyr Pires Vermelho) - trecho da peça O Homem do Terno Preto – A vida e obra e Pedro Caetano


Caprichos Do Destino (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) - Orlando Silva




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+ Flávio Colin e Vizunga

                                                                                                                         Depois que Vizunga deixou de ser publicada, Flávio Colin se afastou dos quadrinhos, passando a se dedicar à publicidade. Voltou a publicar nos anos 70, passando por várias editoras e deixando uma obra de inegável importância dentro das HQ nacionais. Vizunga só foi republicado na revista Eureka, da editora Vecchi, nos anos 70, e nunca mais foi reeditada, permanecedo como um dos tesouros escondidos de nossa nona arte.
Mais algumas tirinhas de Vizunga. 
                                   
__ Eu pescara três grandes atuns e sentia-me plenamente recompensado...
__ Mas havia por ali grandes cardumes de salmonetes, peixe de carne muito saborosa, e James e eu resolvemos pescar o nosso jantar daquela noite...
__ Foi então que assisti a uma cena espantosa!..

__ Aproximávamo-nos já do porto, quando fisguei um salmonete... e pus-me a recolhê-lo calmamente.
__ Súbito, algo saltou como um dardo de dentro do mar e abocanhou o meu peixe! Era um enorme barracuda!
__ Maldito! Cobri-o de pragas e tentei puxa-lo com salmonete e tudo...

__ ...mas o barracuda mal afundara, foi vorazmente tragado por um imenso tubarão!
__ E este, embora eu tentasse, não consegui dominar. A linha partiu-se!
__ Viu?
__ Claro! E por que não continuou, era a vez de um cachalote! Ah! Ah! Ah! Ah!


Um pouco mais à frente, ele começaria a contar a origem de seu apelido:

__ Oh! Creio que a senhora se aborrecerá. Caçae pesca não é assunto que...
__ O Sr. se engana! Sou filha de caçador! Passei toda a minha infância na fazenda de meu pai, em pleno Pantanal, em Mato Grosso!
__ Bem, nesse caso...
__ Mas, espere! Qual é a sua graça?
__ Eu me chamo Parsifal de Carvalho, mas desde moço, todos me tratam por VIZUNGA...

__ Vizunga?
__ Sim, e até prefiro que me chamem assim...
__ Puxa, e onde foi que o Sr. arranjou esse apelido?
__ No alto Xingu. É uma palavra kalpalo que significa IRMÃO.
__ Ah! E por que o chamaram assim?
__ É uma longa história...
__ Pois conte-a! Não temos pressa.


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