23 de julho de 2011

Artes Plásticas - Alfredo Volpi



          Nascido na Itália, Alfredo Volpi imigra com os pais para o Brasil quando tinha um ano e meio. Começou pintando murais decorativos em 1911, de forma autodidata. Nos anos 30, passa a fazer parte do Grupo Santa Helena. A denominação do grupo, e a inserção de Volpi nele, é oriunda mais de uma proximidade física dos pintores (que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena) e da sua origem comum do que de uma identificação estética. Volpi destoava do grupo especialmente por não ser um pintor conservador.









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Quadrinhos - Níquel Náusea

          Níquel Náusea é a maior criação do quadrinista Fernando Gonsales, paulista nascido em 03 de fevereiro de 1961. Da mesma geração que explodiu nas HQs nacionais nos anos 80 (Laerte, Glauco, Angeli...), Fernando Gonsales apareceu ao vencer um concurso da Folha de São Paulo em 1985, onde vem desde então publicando suas tiras. Formado em veterinária e biologia, acaba usando muitas informações científicas na sua produção, que originou personagens como Rato Router, a baratinha Fliti, Vostradeis e tantos outros.



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+ João Gilberto

          "Quando foi lançado, no primeiro trimestre de 1959, o LP Chega de Saudade de João Gilberto provocou a mais completa reviravolta na história da música popular brasileira. João, que faz 80 anos dia 10 de junho, já era o que havia de mais espantoso com dois discos singles (de 78 rotações) gravados no ano anterior. As quatro novas canções haviam virado a cabeça de jovens inclinados, mas ainda não decididos, a seguir a carreira de músico. Eram Chega de Saudade, Bim Bom, Desafinado e Ho-ba-la-lá, e entre os jovens estavam Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo, Francis Hime e outros mais que formariam a nata de compositores. A música de João os fez determinados. Nessas gravações, os dogmas de uma nova forma de canção brasileira estavam explícitos em elementos fundamentais, o ritmo, a harmonia, a batida de violão e a maneira de cantar."

Texto: Zuza Homem de Mello, AQUI

Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinícius de Morais)


Bim Bom (João Gilberto)


Desafinado (Tom Jobim/Newton Mendonça)


Ho-ba-la-lá (João Gilberto)

Fotografia Com Célia - Inauguração do CineClube Humberto Mauro

       
      
          No dia 08 de Abril de 2011, a Calçada da Cultura inaugurou o CineClube Humberto Mauro. Depois de termos sido contemplados pelo Projeto Cine Mais Cultura, do governo federal, que disponibiliza equipamentos e filmes para projetos culturais por todo o Brasil, contamos com o apoio da Prefeitura Municipal de São José do Vale do Rio Preto, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, que nos cedeu o espaço para que o cinema pudesse funcionar.







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Poesia - Carlos Drummond de Andrade

                                        


                         Mundo Grande



Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens.
as diferentes dores dos homens.
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! vai’ inundando tudo...
 

Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos — voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar.
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos.



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Antenado no Mundo com VJ Marcelo - Fela Kuti



          Filho de Ogun, nome do estado em que nasceu na Nigéria, Fela Anikulapo Ransome Kuti talvez seja o maior nome da música africana. Considerado o pai do Afrobeat, gênero que mistura música africana, jazz e funk, resultando numa fusão explosiva, Fela Kuti não restringiu suas atividades à música e era um ativista político ferrenho, defensor da população mais pobre de seu país, chegou-se a cogita-lo para o cargo de presidente. Opositor das ditaduras de plantão, sua propriedade chegou ser atacada por forças do governo, o que resultou além do incêndio da propriedade e de várias pessoas feridas, na morte de sua mãe. Nos anos 80, chegou a passar um período preso, mas a pressão da comunidade internacional e do povo nigeriano forçaram o governo a liberta-lo.



Fela Kuti - Power Show


Fela Kuti - V.I.P.


Fela Kuti - Cross Examination



Site Oficial de Fela Kuti, AQUI
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++ João Gilberto

          "Quando se pergunta a João Gilberto por que não compõe mais, sua explicação é singela e generosa: 'Mas há tanta coisa bonita a ser consertada!'. Ele prefere o trabalho modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu" autoral. É um trabalho árduo. Em 1971, num show que fez na TV Tupi, ele interpretou Largo da Lapa, de Wilson Batista e Marino Pinto. A interpretação é maravilhosa. Mas ele acha que o encaixe entre a primeira e a segunda estrofes ainda não está bom. Por isso, quase quarenta anos depois, ainda não há registro em disco."
          "Ele recompõe músicas tradicionais e contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta, objetiva e clara."

Texto: Mário Sérgio Conti, AQUI

Estate (Bruno Martino)


Pra Que Discutir Com Madame ( Haroldo Barbosa/Janet de Almeida)


Aos Pés da Santa Cruz (Marino Pinto/Zé da Zilda)


O Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi)

+ Alfredo Volpi

"Eu não falo, eu pinto”

         "Esta era a única frase que Alfredo Volpi proferia quando lhe pediam para falar sobre seu trabalho. Num processo de constante evolução, Volpi vai passando de uma pintura singela e figurativa, para uma arte geométrica e construtiva. Atento ao mundo em que vivia, Volpi percebe a chegada e a onipresença da abstração nas exposições de arte nos meados do século XX, e, em meio às pesquisas da época onde as correntes geométricas ganham força, o artista passa a pintar bandeirinhas. Sua pintura não só dialoga com os movimentos construtivistas de sua época, como produz inovações, apesar das muitas pesquisas formais do construtivismo, a forma das bandeirinhas ainda era inédita na pintura abstrata. Uma arte de vanguarda que as pessoas comuns entendem, uma vez que as bandeirinhas são o principal “enfeite”das festas populares brasileiras, uma visualidade das periferias, das expressões genuínas do povo. Mas não só: a forma das bandeiras tem uma geometria complexa, quadrado somado a dois triângulos, em construções que acabam por se tornar um signo de identidade de sua obra. Além disso, a técnica que passa a empregar, em substituição à tinta à óleo, é a têmpera à base de ovo. Uma tinta ancestral, e portanto em diálogo com os primeiros pintores do pré-renascimento italiano. Daí sua grandeza, daí sua pureza, daí sua originalidade, daí a não necessidade de falar."
Texto: Evandro Carlos Nicolau, AQUI











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+ Níquel Náusea



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+ Fela Kuti

          "Fela Anikulapo Kuti é o equivalente africano de Che Guevara e Bob Marley ao mesmo tempo, gênio da raça, líder pacifista e voz do povo. Papa do afrobeat, trouxe os milenares ritmos africanos para a era elétrica, fundindo-os com a força bruta do jazz, funk e rhythm’n'blues. Com seu front musical, entrava em transes percussivos acompanhados de cavalgadas de baixos elétricos, guitarras em profusão, um coro feminino em primeiro plano e uma enxurrada de instrumentos de sopro, com o sax de Kuti em primeiríssimo plano. Com mais de uma centena de discos com sua participação (álbuns costumeiramente divididos em quatro blocos de quinze minutos, que tornavam-se horas ao vivo), Fela criou uma obra tão vasta quanto densa, de valor inestimável e de fácil aceitação. Mas como a África, Fela Kuti é deixado de lado da história mundial, como um gigante incompreensível, uma floresta fechada onde nenhum homem jamais esteve."

por Alexandre Matias, AQUI


Fela Kuti - Don't Gag Me


Fela Kuti - Ao Vivo em Glastonbury (1984)


Fela Kuti - A Música é a Arma


Veja as outras partes desse documentário AQUI


Site Oficial de Fela Kuti, AQUI
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+++ João Gilberto

          Antes de estourar com os primeiros compactos e LPs, João Gilberto fez uma participação no disco de Elizeth Cardoso, "Canção do Amor Demais", de 1958.

Elizeth Cardoso - Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinícius de Morais)

  

          "A capa do disco não diz, o selo também não – mas o violão que se ouve logo na primeira faixa do lado A é de um rapaz tido, naquele ano de 1958, como muito promissor: João Gilberto. Canção do Amor Demais é citado em todos os registros sobre a música popular brasileira como um marco fundamental. Como um desses raros e básicos divisores de águas. Mas ele não é ainda o lançamento oficial da bossa nova. Não. Este LP é, antes, uma espécie de último ensaio geral antes do grande salto que seria a bossa nova. Poucos meses depois do ensaio geral que é este Canção do Amor Demais é que Tom, Vinícius e João lançariam oficialmente a bossa nova, no primeiro LP de João, de março de 1959, Chega de Saudade. A música “Chega de Saudade” (Tom-Vinícius), aliás, é justamente a primeira faixa do LP de Elizeth  Cardoso. E lá está, pela primeira vez em um disco que fez sucesso, a batida de violão diferente, personalíssima, que seria um dos símbolos do novo movimento. Lá está, por exemplo, a mesma flauta que abriria a faixa gravada pelo próprio João, meses mais tarde."

Elizeth Cardoso - Outra Vez (Tom Jobim/Vinícius de Morais)

     

          "Mas não são exatamente os mesmos arranjos que Tom criaria para o disco de João. Estes – aí, sim, já a bossa nova em sua forma plena – seriam mais simples, mais despojados de traços grandiloqüentes, como as grandes entradas de cordas presente no disco de Elizete. Neste Canção do Amor Demais, conforme observou o maestro Júlio Medaglia, no seu Balanço da Bossa Nova, publicado no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo em 1966, “o acompanhamento e a orquestração eram em geral sinfônicos e com instrumentação carregada. Note-se que o próprio Jobim, que orquestraria o disco de João alguns meses mais tarde, teria uma atitude completamente diferente ao trabalhar ao lado do ‘baiano bossa- nova’, evitando as soluções ‘melacrinianas’ de ‘mil violinos’ e ‘glissandos’ de harpas, recurso tão comumente empregados pelos orquestradores de rotina”."

Texto de Sérgio Vaz, AQUI

Elizeth Cardoso e João Gilberto - Eu Não Existo Sem Você (Tom Jobim/Vinícius de Morais)

++ Alfredo Volpi

          "Acho Volpi um dos nossos grandes coloristas. (...) Acho que Volpi chega a uma síntese incrível nos portais e nas festas de São João. Sua pincelada, ao contrário, tem uma forte vibração. Nos trabalhos iniciais, sua cor era mais chapada. Mas, no final de sua vida, ao pintar aquelas superfícies que parecem bandeiras mas que já são enormes abstrações, dando cores extremamente vibrantes e mudando a direção do pincel para conseguir uma certa vibração, parece que a cor está viva ali. Acho aquilo tão sutil e tão rico, é pura luz! O fantástico é que, apesar da economia, ele chega ao cerne da expressão, à essência da qualidade. Poucos artistas fizeram isso. Van Gogh o fez quando pintava o céu com uma pincelada e os corvos com outra. Volpi o realizou sem nunca ter ouvido falar em Van Gogh."
Lygia Pape, AQUI










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+ Fotos

O CineClube Humberto Mauro não fica restrito apenas à exibição de filmes, e funciona como verdadeira sede da Calçada da Cultura. Além de guardar os equipamentos e bonecos, e servir de local para nossas reuniões semanais (abertas a todos, sempre às segundas, em torno das sete horas da noite) ele já está recebendo algumas aulas da Escola de Música da Calçada e do Curso de Audiovisual e Cinema.
Também, aos domingos, quinzenalmente, acontece a Roda de Choro da Calçada da Cultura.
Aulas de desenho, teatro e oficinas de poesia também estão em nossos planos.

E em breve estará funcionando nosso centro de informática comunitário, disponibilizando acesso à internet gratuito para a população.
Até Capoeira já aconteceu no Cine!


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Fora de Catálogo - João Gilberto


          Numa edição que fala dos 80 anos de João Gilberto, claro que essa seção do Fora de Catálogo tinha que abordar a mais notável ausência de reedição da discografia brasileira. Os três primeiros LPs de João Gilberto continuam até hoje sem um relançamento decente em CD. Eles foram juntados pela gravadora em um único CD, chamado "O Mito", na década de 90, que teve que ser tirado de circulação devido a uma ação judicial movida por João, que alegou que a gravadora deturpou o conceito original dos discos ao alterar a ordem das faixas e a mixagem original. A disputa jurídica continua até hoje, e o mundo continua sem poder ouvir alguns dos trabalhos fundamentais do século XX. Resta recorrer à rede...


João Gilberto (1959)


           "Esse primeiro LP de João Gilberto dura 22 minutos e 35 segundos definindo outra marca inédita, a economia, a depuração do supérfluo. Na condução dos arranjos de Tom Jobim o guia era o violão de João Gilberto. Espremendo a essência de cada canção, João concentrava a fluidez rítmica e melódica; penetrando na sua construção original, introduzia com Tom uma harmonia de acordes invertidos executados em bloco. Sem perda do caráter brasileiro, aquela música alcançava um contexto universal."


O Amor, o Sorriso e a Flor (1960)




          "O repertório reunia canções essenciais da bossa nova, uma obra-prima de Carlinhos Lyra, Se É Tarde me Perdoa, outra de Tom, Corcovado, uma terceira de Tom e Newton Mendonça, Meditação, com o verso que deu título ao disco, "o amor, o sorriso e a flor", e o estigma do bom humor na bossa nova, O Pato do ilustre desconhecido Jayme Silva, simbolizando a ligação de João com antigos conjuntos vocais. Na primeira faixa estava o mais convincente modelo de integração texto/melodia da música brasileira, o Samba de Uma Nota Só, de Tom Jobim e Newton Mendonça, possivelmente a síntese da bossa nova nos fundamentais elementos de letra, melodia, ritmo e harmonia. A interpretação de João é direta e enxuta com um final seco após 1 minuto e 35 segundos de perfeição."


João Gilberto (1961)




          "O terceiro LP foi concluído a duras penas após 5 meses e em duas fases, a primeira com a participação do conjunto do organista Walter Wanderley, um músico excepcional, e a segunda com orquestra sob regência de Tom Jobim que também fez os arranjos. Sambas do passado de Caymmi, Geraldo Pereira e da dupla Bide & Marçal eram de tal forma alterados na rítmica e na harmonia que não soavam como outra versão mas como um outro samba. Mas o maior acontecimento desse disco, que tem seu nome como título, foi a apresentação das primeiras gravações de João com violão e nada mais, formando uma entidade que seria a tônica de seus recitais, o que há de mais sublime na música brasileira ainda hoje. Não é um cantor se acompanhando ao violão, são os dois juntos, é um novo conceito representado por dois timbres diferentes, o das cordas vocais e o das cordas do violão formando um terceiro timbre, o de João Gilberto."




Texto: Zuza Homem de Mello, d'AQUI
Entenda melhor a disputa entre João e a gravadora, AQUI
Os links para download foram tirados de um dos melhores blogs que disponbilizam música brasileira, o Um Que Tenha

++++ João Gilberto

Desde Que O Samba É Samba (Caetano Veloso)