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8 de fevereiro de 2012

+ J. Carlos

          "Fica difícil explicar como e por que um traço sintetiza uma época. Para começar, a "época" do J. Carlos foi longa. Incluiu toda a primeira metade do século XX. A figura que mais a caracteriza, a jovem "melindrosa", é do anos vinte,mas qualquer figura do J. Carlos, macho ou fêmea, caricatura ou não, evoca uma era, um estilo, um visual, um espírito, um... Olha aí, se não me seguro digo um "Zeitgeist". O Brasil podia não ser tão simpático como J. Carlos o retratava, mas é impossível imaginar outro traço que o captasse tão bem, se dá pra entender."
          "Era um traço ao mesmo tempo moderno, na sua engenhosidade e no seu despojamento, e clássico, na medida em que era acessível e amável em qualquer contexto. E ele era um original. Há referências européias e americanas no seu desenho mas na maior parte era só dele, e era inconfundivelmente brasileiro. Por quê? Como eu já disse, fica difícil explicar. Melhor é só sentir, e se emocionar."

Luis Fernando Verissímo, no livro Lábaro Estrelado





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2 de dezembro de 2011

Artes Plásticas - Lan

          "Flamenguista, portelense e apaixonado pelas curvilíneas mulatas que se confundem com a geografia sinuosa do Rio de Janeiro.
          Essa descrição poderia ser aplicada a muitos cariocas, mas ela resume a vida e a obra de um gringo oitentão que se apaixonou à primeira vista pela Cidade Maravilhosa e transpôs através de um traço inconfundível as belezas que encontrou - principalmente as das mulheres.
          Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortellini Rossi Rossini, ou simplesmente Lan (sugestão do amigo e jornalista Samuel Wainer), nasceu em Montevarchi, Toscana, na Itália, no dia 18 de fevereiro de 1925. Levou uma infância nômade, em virtude da profissão do pai, um músico de orquestras. Aos quatro anos chegou a São Paulo, onde permaneceu por três anos, até ir para Montevidéu. Em setembro de 1952, Lan visita a cidade do Rio de Janeiro e aceita o convite de Wainer para trabalhar no jornal 'Última Hora', fixando-se em definitivo na cidade um ano depois."
Texto de Marina Andrade, AQUI


    Mitos Cariocas: Lan (Moacyr Luz/Aldir Blanc)






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+ Lan

          "LAN é o maior exemplo de que para ser carioca não é necessário nascer no Rio. Nascido em Florença, fez escala em Montevideo e Buenos Aires antes de fincar seu lápis no Rio de Janeiro. E quem consegue, no risco ágil deste fino objeto, traçar e traduzir com precisão o humor, a vida, a nonchalance da gente da nossa cidade, que para ele não tem mistérios, mas encantos que o seduzem todos os dias? Portelense da antiga e filho de Oxalá , LAN é saudado nas escolas de samba com rufos de surdos, taróis e repiques, não tivesse ele ao longo de sua carreira se dedicado com afinco a retratar o povo do samba. E não tivesse ele também tantos afilhados espalhados pelos vários morros. E as mulheres do LAN ?..." - Haroldo Costa

          "O traço do Lan é inconfundível, ele consegue juntar a simplicidade com o refinamento, próprio dos artistas de grande sensibilidade." - Paulinho da Viola
Depoimentos, AQUI






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++ Lan

"Foi através dos desenhos do Lan que eu aprendi a comprender e amar o Rio." - Borjalo

"O Lan se confunde com o Rio e o samba. Assim como as caricaturas, suas capas de disco fizeram história." - Hermínio Bello de Carvalho

"O Lan é um exemplo de que o Brasil pode dar certo" - Aldyr Blanc

"Quem inventou a mulata, não foi o português, foi o Lan" - Carybé

Depoimentos, AQUI






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23 de setembro de 2011

Artes Plásticas - Lygia Pape




Língua Apunhalada
   "Lygia Pape, da mesma geração artística e filiação estética que Lygia Clark e Hélio Oiticica, pertenceu ao Grupo Frente (1953), núcleo do Concretismo no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos cinquenta, junto aos demais artistas deste grupo, amadureceu as divergências poéticas com os conretistas de São Paulo, até chegarem à dissidência Neoconreta, formalizada em manifesto e numa exposição, em 1959. Com Clark e Oiticica, Pape estava no epicentro da mais inventiva vanguarda jamais surgida no Brasil. É, pois, uma das mais importantes artistas brasileiras de todos os tempos. A ressonância de seu trabalho não pode ser portanto aferida sem que remetamos sua inquietação experimental a esse momento fundador da arte brasileira contemporânea."
 Texto de Fernando Cocchiarele, AQUI











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+ Lygia Pape

       O Divisor


          "Nos anos 1950, Lygia Pape questionava o caráter objetual da arte e criava experiências que ressaltavam o processo e o conceito da obra. Inicialmente comprometida com a pesquisa geométrica do movimento concreto, chega mais tarde a um entendimento da arte que incluía, além do raciocínio, a sensibilidade, a criatividade e a participação. Passou a integrar e reconfigurar as percepções e os movimentos cotidianos, misturando linguagens para levá-las ao mundo como narrativa aberta. Em 1968, Lygia Pape encomenda a confecção de um enorme tecido branco com vários buracos por onde possam passar cabeças e convida um grupo de pessoas a usá-lo ludicamente. Cada uma delas ocupa seu espaço, novos participantes se unem e da reunião coreográfica de movimentos individuais num mesmo corpo forma-se O divisor. O tecido repousa sobre os ombros, isolando da vista dos participantes a coreografia improvisada que executam. Quem está dentro vê apenas as cabeças dos outros e as dobras no tecido, combinadas às sombras em movimento. De fora, vislumbra-se um oceano de pessoas em trânsito: individualidades que se afirmam pelo destaque dos rostos, mas cuja caminhada resulta de uma negociação coletiva."
Texto Original, AQUI





O Ovo


          "Quando fiz o Ovo, um cubo coberto com uma superfície macia onde a pessoa entra, rompe e 'nasce', estava interessada na possibilidade de uma obra sem autor. O Divisor, uma grande superfície de 20 x 30 m, com fendas onde as pessoas enfiam suas cabeças, também foi um trabalho bastante feliz nesse aspecto. O que eu queria fazer naquele momento era um trabalho que fosse coletivo, e que as pessoas pudessem repetir sem que eu estivesse presente. O Ovo e o Divisor são estruturas tão simples que qualquer pessoa pode repetir. Ideologicamente este tipo de proposta seria uma coisa muito generosa, uma arte pública da qual as pessoas poderiam participar. Atualmente, são chamadas de performances."
Texto de Lygia Pape, AQUI


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++ Lygia Pape e a Piraquê


      
          "Se você é brasileiro, sobretudo carioca, e tem mais de 20 anos, certamente teve sua infância marcada pelas embalagens dos biscoitos Piraquê. Olhe bem para a imagem aí em cima, então, e se despeça: a empresa está substituindo o desenho clássico por outro. Além de ser um projeto pior, mais poluído visualmente, que dispersa as informações em vez de concentrá-las, a nova embalagem da Piraquê joga fora a obra de uma grande artista brasileira e parte da nossa história visual. O que muito pouca gente sabe é que toda a identidade da Piraquê – embalagens dos biscoitos, massas, caminhão e logomarca – foi criada por Lygia Pape, uma das maiores artistas que este país já produziu.  A atuação de Lygia –  falecida em 2004 – no ramo da comunicação visual foi tão versátil quanto no das artes plásticas. Entre o fim dos anos 1950 e os aos 1970, ela criou numerosos cartazes e letreiros para filmes do Cinema Novo, caso de “Vidas secas”. A partir de 1960, já com boa experiência como programadora visual, atuou na Piraquê."



          "Lygia criou o desenho de embalagens que se tornaram clássicas, como as dos biscoitos Cream Crackers, Maria e Maisena, e de quebra inventou um novo conceito para o empacotamento, depois copiado por outras indústrias do Brasil e do exterior. Até então, os biscoitos eram guardados em caixas ou latas padronizadas, fosse qual fosse o seu formato. A artista deenvolveu, no entanto, um método próprio de cortar e colar o papel de embalo, de modo que ele  passou a envolver os biscoitos sem gerar sobras dos lados, acima ou abaixo. Os biscoitos passaram a ser empilhados verticalmente e o papel plástico apenas se sobrepunha a esta pilha, criando a forma que as embalagens de Maria, Maisena e Cream Crackers têm até hoje, ou seja, a de sólidos espaciais (cilindro, ovalóide e paralelepípedo)."
Texto de Daniela Name, AQUI






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+++ Lygia Pape - Tteia










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23 de julho de 2011

Artes Plásticas - Alfredo Volpi



          Nascido na Itália, Alfredo Volpi imigra com os pais para o Brasil quando tinha um ano e meio. Começou pintando murais decorativos em 1911, de forma autodidata. Nos anos 30, passa a fazer parte do Grupo Santa Helena. A denominação do grupo, e a inserção de Volpi nele, é oriunda mais de uma proximidade física dos pintores (que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena) e da sua origem comum do que de uma identificação estética. Volpi destoava do grupo especialmente por não ser um pintor conservador.









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