2 de dezembro de 2011

Poesia: Poema Obsceno - Ferreira Gullar



 Poema Obsceno (Moacyr Luz/Ferreira Gullar)  

Façam a festa
cantem e dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira 


Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Martinho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do país
- e espreitam.


Esse poema de Ferreira Gullar foi musicado por Moacyr Luz para o disco A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro:

          "É o sétimo disco do cantor e compositor Moacyr Luz, que desta vez surpreende: em vez dos habituais excelentes parceiros, musicou obras de vários poetas brasileiros que enalteceram, em épocas distintas, o Rio de Janeiro e seus encantos. Aqui, a Cidade Maravilhosa nos é apresentada como num caleidoscópio, com pontos de vista diferentes para locais e situações também distintos. Não falta obviamente a natureza privilegiada com suas praias e montanhas, o povo com seu costumeiro bom humor, as situações do cotidiano da Zona Sul e do subúrbio, mas desta vez o paradisíaco disputa espaço com o violento e o selvagem, hoje obrigatoriamente partes desse cartão postal mundial.
          O cantor e seu violão têm acompanhamento do consagrado sexteto de choro Água de Moringa. Outros destaques são a inspirada capa desenhada pelo ilustrador Lan e os comentários emocionados - por vezes irreverentes - do humorista Jaguar, faixa-a-faixa. Dois monstros sagrados do folclore carioca."



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